quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Akhenaton - O faraó monoteísta

Falar de monoteísmo no Egipto antigo pode parecer á primeira vista algo muito erróneo para se fazer, no entanto a história do antigo Egipto não é assim tão linear quanto parece.
Estávamos no ano de 1353/1351 AC quando Amenófis III morreu deixando instalado no Egipto uma desordem politica a nível internacional, contudo a cidade de Tebas continuava a ser uma capital rica e com um clero bastante poderoso tendo por base o deus tebano Amon.
Akhenaton ("o servidor de Aton")
O filho de Amenófis III sobe ao poder com o nome de Aménofis IV (significando Amon esta satisfeito), este será o faraó que irá criar o pensamento monoteísta.
Aménofis IV começa ao longo do seu reinado a introduzir de uma forma cada vez mais radical um pensamento que provavelmente já estaria a ser introduzido no reinado de seu pai, sob a influencia de sua mãe a rainha Tiyi, este pensamento centra-se na elevação do deus Aton a deus único, criador de toda a vida todo-poderoso,…. Aton que até á época simbolizava apenas o disco solar passa agora a estar no topo do panteão egípcio como o único Deus.
O objetivo de Aménofis seria o de tornar o divino acessível a todas as pessoas, uma vez que o faraó acreditava na igualdade de todos os seres vivos. 
O que aconteceu foi que encontrou, como seria de esperar, uma forte pressão e oposição do clero de Amon que até aquela altura era o cento religioso do Egipto. É com esta hostilidade que o faraó reafirma a sua posição rejeitando os outros deuses e também mudando o seu nome para Akhenaton ("o servidor de Aton").
Akhenaton tinha como esposa a famosa rainha Nefertiti, com a qual se mudou para a recém criada cidade de Amarna. Nesta cidade consagrada a Aton, o faraó ergue um templo no seu centro totalmente aberto á luz solar. a nova cidade de Amarna tinha também um palácio oficial, um palácio de recreio, edifícios administrativos, bairros habitacionais e oficinas de vários artistas da época.
Com toda esta revolta em torno da sociedade e da religião egípcia a arte teve também uma transformação profunda sendo que neste período tem o nome de arte amarniana. 
Na arte amarniana tem lugar o natural e a representação de tudo aquilo que era intimo de uma forma mais natural, como por exemplo a representação de Akhenaton e Nefertiti a beber e comer durante um banquete ou então a representação do faraó de uma forma caricatural uma vez que este aparece varias vezes de uma forma "assexuada", apresentando rosto longo, lábios grossos, ancas alongadas,…. Esta forma revolucionária de representação do faraó tinha também origem religiosa uma vez que o faraó é a manifestação divina na terra e agora o deus Aton, é um deus uno, ele passa a representar tanto o masculino como o feminino.
Após a morte do faraó, a cidade de Amarna e a reforma religiosa fracassou como seria de esperar devido á oposição do poderoso clero de Tebas que defendia o panteão egípcio na sua totalidade, no entanto o que este faraó deixou á humanidade foi o pensamento na existência de um só Deus, conceção religiosa que viria a renascer e a perdurar durante milhares de anos.
Para terminar deixo apenas algumas comparações entre o hino ao deus Aton que Akhenaton escreveu com o propósito de converter o Egipto ao monoteísmo e o Salmo 104 da Bíblia cristã, que parece ter origem no Hino escrito pelo faraó:

Excertos do Hino a Aton:                          Excertos do Salmo 104:

Aton do dia, grande majestade                 Senhor....estas revestido de esplendor e majestade

Todos têm comida                                   Fazes germinar ervas...para que da terra possa tirar o teu alimento

Eles estão escondidos do rosto                Se deles escondes o rosto...

Oh único Deus, como tu não há outro!     Senhor, como são grandes as tuas obras!

Senhor de todas as Terras...                    A Terra está cheia de tuas criaturas!

Sem comentários:

Enviar um comentário